01/09/2017

Resenha: Marlena


Título: Marlena
Autor(a): Julie Buntin
Editora: Fábrica 231
Páginas: 304
Livro cedido em parceria com a editora
Cat tem 15 anos e se sente sozinha e perdida ao deixar para trás o mundo que conhecia para viver numa pequena cidade no interior de Michigan. Mas sua vida se transforma quando ela conhece sua nova vizinha. Marlena é uma garota destemida, determinada e fora de controle. Logo as duas se tornam inseparáveis e passam a testar seus limites, em busca de novas experiências e, principalmente, de um sentido para a vida. Até que um desfecho inesperado põe fim a esta amizade. Quase 20 anos depois, Cat relembra aquele período de excessos e ainda luta para perdoar a amiga e a si mesma, neste romance ao mesmo tempo sensível e brutal sobre uma amizade obsessiva e sobre pessoas que, não importa o quanto se demorem, deixam marcas profundas na vida de outras.

Marlena é um livro de memórias baseado, até certo ponto, na vida da própria autora. Nele temos Cat, uma menina de 15 anos que teve sua vida drasticamente alterada por causa da separação dos pais. Sai de sua escola perfeitinha para ir morar em uma cidade de interior no Michigan onde conhece então Marlena, uma menina de 17 anos que faz parte daquele padrão fodido de adolescente problema com uma família problemática. A história tem um paralelo entre a vida atual de Cat, com 36 anos, e a adolescente e as lembranças voltam mais fortes (porque ela nunca esqueceu, de fato, esse período da sua vida) com o irmão da Marlena (que na época tinha uns 6 anos) querendo reencontrar Cat para conversar e até mesmo relembrar algumas coisas sobre o passado. E sinceramente foi ai que fiquei realmente incomodada com a história, pois esperei muito desse encontro conforme todas as coisas que ela foi contando sobre Marlena e todas as coisas que elas passaram juntas, mas ele foi tão simples e breve que não deu nem para entender de verdade qual foi o sentido dele.

Cat era a menina perfeitinha, sempre tirava notas boas e estudava na melhor escola mas isso mudou quando ela se mudou e isso nem se quer se da ao fato de ela conhecer Marlena, apesar de ter ajudado para o começo de todo o problema. Com o inicio da amizade ela passou a cabular aulas para beber e fumar com sua nova amiga e ao conhecer os amigos dela viu que um era traficante e os outros viciados. À partir daí da para imaginar as coisas que podem vir a acontecer na vida de Cat, ainda mais com a amizade entre as duas ficando tão intensa ao longo dos meses. Mas o foco não é exatamente na Cat e sim na própria Marlena, que é viciada em drogas e faz de tudo para manter seu vicio. O problema é que Cat é uma menina muuuito inocente e sem atitude. Ela demorou para perceber os verdadeiros problemas de Marlena e mesmo quando estes estavam na sua cara ela nunca fez nada para ajudar a amiga, nunca tentou de verdade fazer com que Marlena largasse o vicio ou que parasse de se relacionar com um homem mais de vinte anos mais velho para conseguir as drogas e isso realmente me incomodou na menina. Era como se, de certa maneira, ela colocasse suas frustrações familiares nessa amizade e em como essa amizade era conduzida com coisas tão diferentes das quais ela era acostumada. Mas o pior é que após sua vida adulta ainda parecia que ela culpava Marlena por todas essas coisas e as consequências que isso teve em sua própria vida.

silviane casemiro @kzmirosil

Marlena é um reflexo de uma vida precária, de pessoas pobres e que acabam fazendo coisas porque não acham que existe opção, que acreditam que aquele é seu único destino e é por isso que eu não consigo odiar essa personagem mesmo com todos seus problemas. Não digo que cabia a Cat ajudar a amiga a se livrar dos problemas, afinal ela era tão nova quanto Marlena, mas ela sabia mais sobre as coisas e ela poderia ter buscado auxilio com pessoas adultas que ajudaria de fato antes das coisas começarem a dar errado. Mas sua única preocupação de verdade era ser a garota diferente do que ela havia sido nos últimos 15 anos de sua vida.

De todo o mais o livro é lento. Eu acho que demorei um mês para ler ele e falo isso sem exagero. Eu pegava e lia umas dez páginas e já me cansava pois era sempre a mesma lenga lenga sem algo realmente significativo acontecendo. É uma ficção com aspecto de não-ficção, já que se trata das memórias de alguém (que pode ou não ser a autora). Talvez para quem gosta de biografias seja uma excelente leitura, mas para mim não funcionou muito bem.

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